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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sagmeister em SP: design e felicidade


Stefan Sagmeister[4]

“É possível perseguir a felicidade no design?” Com essa pergunta, Stefan Sagmeister abria sua palestra aqui em São Paulo, na semana passada. Promovida pela revista AbcDesign, a apresentação do designer austríaco (radicado em N. York) foi bem instigante. Sagmeister apontou duas questões que ajudam nessa “busca pela felicidade”:

  1. fazer mais as coisas que se gosta e menos as que não se gosta”: parece óbvio, mas nem sempre é possível... fica mais viável depois que já se goza de uma certa reputação no meio.
  2. saber a metade pra não ficar assustado e não saber a outra metade pra não ficar entediado”: essa já pode ser aplicada por praticamente todo mundo, em qualquer estágio da carreira. Afinal, quem assume um trabalho sem o conhecimento necessário certamente não obterá resultados satisfatórios (e muito provavelmente, terá sua reputação prejudicada); por outro lado, são a surpresa e o desafio que nos impulsionam, né?

Sagmeister_Everything I do[5]

“Madeira” de papel!

Ideia “da boa”: a partir de jornais usados (material barato e amplamente disponível, já que é descartado em enorme quantidade todos os dias), a designer Mieke Meijer desenvolveu o KrantHout, um material que remete à madeira.

KrantHout

Trata-se de “uma inversão do processo produtivo tradicional: não da madeira para o papel, mas ao contrário”, explica a designer. As páginas de jornal são empilhadas e enroladas usando uma máquina desenvolvida especialmente para produzir “toras”, que depois podem ser cortadas em tábuas e tratadas de forma similar à madeira de verdade.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Uma imagem para a sexta… (#28)

A imagem de hoje merece estar aqui não por seu valor estético (eu mesma tirei essa foto, com meu celular, sem nenhuma pretensão artística), mas sim pelo que ela representa: um momento longe da correria, um lugar pra esquecer, ainda que por alguns instantes, o relógio e seu tic-tac atropelador…

Lago com carpas

E o mais legal é que esse oásis fica em plena cidade de São Paulo: é um templo nas Perdizes, que tem, anexo, um restaurante super gostoso. Almoçar bem e depois parar por alguns instantes: boa pedida para uma sexta, não é?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Levando o bar para casa…

Escrever em toalha de bar (daquelas de papel) é uma delícia, né? Em guardanapo também… pois essa experiência deu uma ideia e tanto aos portugueses do Serrote, um grupo de designers gráficos que se especializou, entre outras coisas, em criar caderninhos dos mais diversos tipos. Nesse caso, os cadernos Toalha (11,5 x 17 cm) têm o miolo feito do mesmo papel das toalhas de restaurante. Simples e genial!!

Serrote_Caderno toalha de mesa

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os acessórios eco-chics de Nara Guichon

Há alguns dias, estive no ateliê de Nara Guichon, em Floripa. O trabalho que ela desenvolve é super bacana, combinando uma sensibilidade estética apurada à consciência ambiental. A designer e artesã trabalha com tricô, crochê e tear manual, dentre outras técnicas, mas o que me mais encantou foram os acessórios que ela cria a partir de velhas redes de pesca.

Nara Guichon_redes
Feitas em poliamida (material altamente poluente), as redes têm uma vida útil determinada e, depois de certo tempo de uso, tornam-se frágeis demais para a pesca, tendendo a rasgar facilmente. Neste momento, são enviadas a oficinas especializadas no restauro das tramas: lá, as partes mais frágeis são substituídas por trechos novos. E são justamente os descartes deste processo que Nara usa em suas criações, dando-lhes novo fôlego: surgem, então, bolsas, colares, echarpes, pulseiras e cintos.

Nara Guichon_bolsa

domingo, 21 de novembro de 2010

Embalagem no caminho certo

Muito legal o protótipo de embalagem criado pelo pessoal do Design Simples (Ana Clara Goyeneche, Fábio Takao, Lucas Colebrusco e Rafael Gatti) para as camisetas do Coletivo Verde, que são vendidas pela internet (e, portanto, enviadas via correio).

embalagem floreira

Tendo como principal matéria-prima o bambu – o que por si só já é uma vantagem –, a embalagem se transforma em uma simpática floreira. O video abaixo mostra como funciona essa “metamorfose”:

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Uma imagem para a sexta… (#27)


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Mesmo após três anos editando uma revista de lighting design (a L+D), continuo fascinada pela capacidade de transformação que a luz traz consigo…

As duas fotos desse post foram clicadas pelo meu irmão em Berlim no final de outubro, durante o Festival of Lights, que acontece por lá todo ano nessa época. Na imagem de cima, a fachada da Berliner Dom estava completamente modificada pela projeção em padrão xadrez – abaixo, o mesmo edifício com a iluminação habitual.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Design e identidade na Bienal de Design 2010

A questão da identidade está intrinsecamente ligada ao design em suas diversas esferas, já que os produtos que escolhemos, compramos e consumimos comunicam aos outros, deliberada ou inconscientemente, quem somos. E quando o produto se conecta com duas identidades (a do seu usuário e aquela do lugar onde foi produzido), ainda melhor, né?

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Pois esse era o mote do núcleo Pertencimento, que integrou a mostra principal da Bienal de Design em Curitiba: a ideia era trabalhar com o conceito de “uma identidade em movimento, que se reinventa a cada passo”, explica a curadora Adélia Borges.

Acho que o tema da identidade pode ser lindamente explorado nos diversos campos do design. Mas neste post escolhi mostrar alguns acessórios de moda exibidos na Bienal que provam que, sim, é possível partir de elementos muito conhecidos de uma forma rica, sem seguir o caminho fácil (e pobre) do clichê.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Geléia fácil (e doce de leite, nutella, maionese…)

Esse é mais um post sobre um tipo de projeto que considero genial: aquele que surge de ideias simples, com mudanças sutis, mas capazes de fazer toda a diferença para quem vai usar o produto.

É exatamente o caso do Easy PB&J Jar, um pote de vidro criado pelo designer Sherwood Forlee. À primeira vista, parece um pote normal daqueles de conserva, sem nada além do que a gente já conhece. Só que basta olhar com um pouquinho mais de atenção para se perceber que o vidro tem duas tampas, uma em cada extremidade.

Easy jar 1

A ideia é fazer com que seja mais fácil retirar os restinhos de geléia, manteiga de amendoim ou outras pastas guardadas nos potes – quem já não perdeu a paciência tentando tirar a última colherada de doce de leite naqueles cantinhos praticamente inatingíveis? (Excluem-se, aí, os usuários da espertíssima colher criada pelos irmãos Castiglioni para a Kraft na década de 1960, hoje reeditada pela Alessi).

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Bienal de Design 2010: a mostra principal

Já falei aqui antes do quanto gostei de visitar a Bienal Brasileira de Design em Curitiba. O resultado foi muito bacana e acho que o tema geral da Bienal – “Design, Inovação e Sustentabilidade” – também foi feliz. A começar por destacar a inovação, que é uma condição intrinsecamente ligada ao bom design (“o bom design é inovador”, já dizia – e ainda diz – Dieter Rams).

E a sustentabilidade? Expressão que é a “bola da vez”, item obrigatório em todo discurso marqueteiro (e em outros tipos de discurso também), como ela está sendo tratada no design brasileiro? “Desvendar os véus das interpretações rasas e das palavras vazias de significado para, por trás delas, encontrar exemplos de design sustentável nas várias regiões do Brasil contemporâneo foi a tarefa a que nos autoimpusemos nesta exposição”, afirma a curadora Adélia Borges.

Uma imagem para a sexta… (#26)

Tim Flach - Dogs

Volta e meia eu me pego pensando em ter um cachorro… aí racionalizo e me convenço de que não vai dar certo, por várias razões práticas. Só que não consigo deixar de me derreter quando vejo uns caninos figuras como esse da foto aí de cima… ele tem dreadlocks ou o quê? :-)

A foto foi clicada por Tim Flach e faz parte do livro “Dogs Gods”, lançado no final de outubro. Tem outras fotos bem bacanas no livro; para conferir, dê uma olhada no site de Flach.

(Via Abduzeedo)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vencedores do Prêmio Tok&Stok de Design 2010

Aconteceu ontem, Museu da Casa Brasileira, a entrega do Prêmio Tok&Stok de Design Universitário. O evento foi bem descontraído: os mestres de cerimônia foram Paulinho Serra, Tatá Werneck e Rodrigo Capella, do programa “5ª Categoria MTV”, que antes de revelar os vencedores arrancaram gargalhadas do público com uma apresentação de humor de improviso.

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O primeiro lugar foi para o projeto Kid’s Block, de Aline Karlovic Burgos (FAAP), orientada pelo professor Milton Francisco Junior. Com duas peças, o móvel pode funcionar como cadeira ou como estante, quando empilhado (para isso, basta destacar o assento, invertê-lo e encaixá-lo à parte inferior da base).

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Bienal de Design 2010: materiais recriados

O lixo é o único recurso em expansão no planeta, já dizia Buckminster Fuller nos idos dos anos 1960. Nada mais inteligente, portanto, do que utilizar inteligentemente este recurso, não é? Este é o mote da mostra “A reinvenção da matéria”, que integrou a programação da Bienal em Curitiba.

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Organizada em torno de dois eixos – Natural e Artificial –, a exposição trata de mostrar exemplos de transmutação de materiais corriqueiros e abundantes (papelão, alumínio, PET, borracha, fibras e sementes) em produtos de naturezas diversas, desde aqueles pautados sobretudo pela funcionalidade (como componentes para automóveis) até outros que são verdadeiros objetos de desejo. A seguir, os produtos que achei mais bacanas no setor Artificial.

Uma imagem para a sexta… (#25)


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A foto aí de cima é um detalhe de uma das embalagens da Mana Bernardes, jovem designer carioca que trabalha essencialmente com a utilização de materiais “pobres” na criação de suas joias. Sim, digo “joias”, porque, apesar de das peças idealizadas por Mana serem construídas a partir de colheres de plástico, grampos de cabelo, pedaços de garrafas PET e outros materiais do tipo, o resultado é realmente precioso, assim como preciosa é essa embalagem, que a designer utiliza para acondicionar suas criações. Nela, Mana faz alusão à importância da transformação – essência de seu trabalho – não apenas no design, mas na vida. Nada mais verdadeiro, né?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Inovação e sustentabilidade no design brasileiro


Bienal Ctba_1

Há alguns dias, estive em Curitiba para visitar a Bienal de Design, que terminou no dia 31/10. Fiquei impressionada com a abrangência e a consistência dessa Bienal, e otimista em relação aos rumos do design brasileiro: a tirar pelos produtos ali reunidos, arrisco a dizer que nosso design nunca esteve em um momento tão fértil, tão vigoroso.

Sob o mote “Design, inovação e sustentabilidade”, nove exposições foram organizadas, mostrando diferentes aspectos e setores do design:

  • Design, inovação e sustentabilidade – era a mostra principal, e lá foram expostos cerca de 250 projetos de todo o Brasil. “Houve uma preocupação deliberada de diversificação de procedência geográfica dos trabalhos escolhidos, na busca de uma representatividade nacional”, explica Adélia Borges, a curadora geral da Bienal, também responsável pela curadoria da mostra principal.

Foto: Diego Pisante / Agencia Clix - press.clix.fot.br. CREDITO OBRIGATORIO. Todos os direitos reservados.

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