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domingo, 19 de setembro de 2010

Tecido em lata

Na sexta-feira, uma notícia publicada pela BBC Brasil e pelo UOL chamou a atenção de muita gente (pelo menos, vários de meus contatos no Twitter e Facebook linkaram essa nota). O assunto que gerou tanto interesse era o Fabrican, um spray criado pelo estilista e pesquisador Manel Torres em parceria com o professor Paul Luckham. Ao ser aplicado sobre o corpo do usuário (ou um manequim de prova), o spray se converte em uma espécie de tecido não-tecido, o que permitiria fazer roupas customizadas de forma instantânea.

Fabrican_1

Segundo informações do site Fashionable Technology, em 2007 o Fabrican foi usado na criação do figurino dos atores que interpretavam enfermeiros em um hospital fictício em 2090, num filme feito pela Mr. Nobody Productions, uma baseada em Berlim. O próprio processo de feitura da roupa com o spray é bonito de se ver, e renderia bela performance num video de Lady Gaga.  ;-)

Manel Torres_Fabrican

Por ora, esse é o tipo de aplicação que considero mais viável. Embora o Fabrican seja interessante e promissor, ainda não me parece factível para o uso cotidiano. Apesar da matéria informar que o tecido pode ser lavado e reutilizado, sua textura ainda me pareceu muito “borrachenta” (a fórmula é composta por polímeros e fibras curtas de lã, linho ou acrílico), desconfortável para uso ao longo de um dia inteiro, por exemplo. No vídeo a seguir dá pra ver bem a textura do material.

Vendo esse video, me lembrei na hora das luminárias da série Cocoon – produzida pela Flos na década de 1960 e reeditada nos anos 2000 – cuja primeira peça foi a Taraxacum S (abaixo), criada pelos irmãos Achille e Piergiacomo Castiglioni. 

Cocoon_Taraxacum - A & PG Castiglioni 1960

As peças da série Cocoon eram (e são) criadas a a partir de uma estrutura metálica que, colocada em uma base giratória, é pulverizada com um polímero em spray, num processo que, segundo o nome da coleção já indica, remete mesmo à criação do casulo da lagarta/borboleta, como mostra o vídeo a seguir.

A série foi reeditada nos anos 2000 e ganhou um acréscimo: o pendente Zeppelin (abaixo, em primeiro plano e no detalhe), criado por Marcel Wanders a partir da mesma tecnologia.

Cocoon_Zeppelin - Marcel Wanders

Para as Cocoon, era suficiente que o material fosse estável e aderisse à estrutura de modo a criar uma membrana uniforme para a difusão da luz. Já no caso das roupas feitas com Fabrican, a meu ver, a questão é mais complexa: como o suporte é o corpo humano, o desafio é conseguir um material que seja maleável, transpirável e tenha uma textura agradável ao toque, para garantir a usabilidade das roupas criadas com ele. Aguardemos os desdobramentos…

(Via UOL/BBC Brasil, Fabrican, Imperial College London, Fashionable Technology, Gizmo Watch, Flos, Marcel Wanders)

3 comentários:

  1. muito interessante! adorei! além de roupas com um desenvolvimento maior, dá pra criar vários objetos revestidos em tecido, não? seria prático hahaha bjos

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  2. Gente, mas uma roupitcha dessas só poderia ser usada por modelos! Qualquer "graxinha" sobrando já ficaria evidenciada, pois a roupa é colada no corpo. Acho que só para Lady Gaga mesmo, eheheh....

    Beijocas :)

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  3. Também pensei nisso, Lígia! Pelo menos no estágio atual, estas roupas só atendem a quem curte roupas justérrrrimas...

    Acho que essa tecnologia tem potencial, mas ainda precisa ser mais desenvolvida. E talvez a moda nem seja o melhor campo para ela (mas certamente é uma ótima forma de divulgação).
    Uma das aplicações que eles mencionam, por exemplo, é para curativos (já que, por ficar dentro da lata, o material ficaria protegido da sujeira do ambiente, mesmo após o início do uso).

    Beijos!
    ;-)

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