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quarta-feira, 31 de março de 2010

Estampas criadas com dados

prensa dados 1
Isso que é ideia inspirada: o artista gráfico Stukenborg teve o insight de usar dados como matrizes geradoras de uma estampa. Um recurso simples e, ao mesmo tempo, com muitas possibilidades.
Ele organiza centenas de dados em uma prensa tipográfica, criando estampas incríveis, que são impressas artesanalmente em edições limitadas.

prensa dados 2

dados com tinta

Para conferir todas as padronagens ou comprar as gravuras, clique aqui.
 stukenborg3

(Fontes:  A Pattern a Day e Etsy)

Lina Bo Bardi: curso no Mariantonia

Lina 1
Figura de extrema importância para a arquitetura e o design brasileiros, Lina Bo Bardi é o tema de um curso superbacana promovido pelo Centro Mariantonia, da USP, com início em abril.
As aulas serão dadas por Silvana Rubino, professora da Unicamp e organizadora do livro Lina por escrito, lançado no ano passado pela Cosac Naify.
Trata-se de “uma análise ampla da atuação cultural de Lina Bo Bardi no Brasil, desde sua formação em Roma e sua chegada ao País, passando pela fundação do Masp e a criação da revista Habitat, seus projetos arquitetônicos e em design no contexto da consagração da arquitetura moderna brasileira, sua militância cultural na Bahia, até alguns de seus projetos marcantes, como a reformulação do Teatro Oficina e o Sesc Pompéia”, informa o Mariantonia.
O curso acontecerá nos dias 6, 13, 20 e 27 de abril, terças-feiras, das 20 às 22h. Para ver o programa com o conteúdo detalhado e saber mais informações sobre como se inscrever, clique aqui.
Abaixo, algumas das obras mais emblemáticas de Lina. Em sentido horário: fachada do MASP; detalhe de passarela do SESC Pompéia; cadeira dobrável Frei Egidio; mesa e cadeira Girafa; poltrona Bowl.

Lina_Masp e Sesc PompeiaLina_cadeiras
 Imagens: Dwell

terça-feira, 30 de março de 2010

Coca-Cola é isso aí!

Nossa, me senti velha agora… Alguns de vocês não vão entender esse título: era o slogan da Coca-Cola lá pelos anos oitenta…
Mas vamos ao assunto deste post: dois produtos que ligam Coca-Cola e ecodesign. A gente sabe que o consumo de garrafas PET, em geral, é um baita problema do ponto de vista ambiental, então é natural que surjam iniciativas para contornar esse problema.
Coca quadrada 1
A primeira delas por enquanto ainda está no plano das ideias, e foi proposta pelo estudante Andrew Kim: uma nova garrafa para a Coca-Cola, que, com seu formato quadrado, ocuparia menos espaço no transporte, consequentemente reduzindo a quantidade de gás carbônico gerada no processo logístico. Além disso, a garrafa é canelada para facilitar a compressão da mesma após o uso e a redução da área de armazenamento e transporte no envio para o processo de reciclagem.
Coca quadrada 2
Coca quadrada 5
Mais informações sobre o projeto Eco Coke Bottle no blog do Andrew Kim.
A outra iniciativa é bem comercial: na próxima Semana de Design de Milão, a Emeco irá lançar uma série da famosa Navy Chair fabricada a partir de garrafas PET de Coca-Cola (ela é originalmente produzida em alumínio). São utilizadas 111 garrafas em cada cadeira (o que corresponde a 65% da matéria-prima), e a produção acontecerá em uma nova fábrica produzida pela Coca-Cola, que participou do desenvolvimento das novas cadeiras, projeto que levou quatro anos.  “Nós projetamos a 111 Navy Chair para ter as características da versão original em alumínio – super forte, durável e confortável –, mas agora ela também é quente, colorida e custa a metade do preço da de alumínio (195₤). Esperamos utilizar cerca de 3 milhões de garrafas plásticas a cada ano na produção [das cadeiras], que começará em junho”, informa a Emeco.

segunda-feira, 29 de março de 2010

SANAA vence o prêmio Pritzker 2010

2010recipients

Os arquitetos Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, titulares do escritório SANAA, foram escolhidos neste ano para receber o Pritzker, a mais importante premiação do cenário da arquitetura internacional. O objetivo do prêmio Pritzker é “homenagear anualmente um arquiteto vivo cuja obra construída demonstre uma combinação de talento, visão e comprometimento, qualidades que produziram contribuições consistentes e significativas para a humanidade e o ambiente construído por meio da arte da arquitetura.”
A arquitetura de Sejima e Nishizawa é marcada pela simplicidade formal, pela leveza e pela transparência. O júri define a obra dos dois arquitetos japoneses como “simultaneamente delicada e poderosa, precisa e fluida”, e os vê como autores de “edifícios que interagem, de forma bem sucedida, com seus contextos e com a atividade que eles contém, criando um senso de completude e riqueza espacial”.
Mais uma vez o júri do prêmio Pritzker decide premiar arquitetos cuja filosofia de trabalho se opõe diametralmente à arquitetura do espetáculo. Se essa postura é proposital não há como saber ao certo, mas a premiação do SANAA definitivamente chama atenção para a qualidade desta arquitetura cuja concepção valoriza os elementos essenciais e a economia de meios.
O Rolex Learning Centre (abaixo), concluído em Lausanne em 2009, é um bom exemplo: originalmente concebido como um edifício vertical, ao longo do processo projetual se transformou em uma construção horizontal, ampla e fluida. Os diversos ambientes (biblioteca, restaurante, áreas de exposição, escritórios, etc) são diferenciados não por paredes, mas por ondulações em um piso contínuo, que sobe e desce para acomodar os vários usos, ao mesmo tempo que permitem vistas no interior desta “paisagem construída”.

Rolex LC 2     Rolex LC 1

A cerimônia de premiação acontecerá no dia 17 de maio em N. York. Mais detalhes podem ser vistos no site do prêmio Pritzker.
Fotos: Takashi Okamoto e Hisao Suzuki / Cortesia SANAA.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ainda sobre café...

...vejam os experimentos do designer Scott Amron para criar um copo descartável para café/chá com um colarinho térmico que surge instantaneamente quando a bebida quente é colocada. O colarinho "incha" com o calor e pode assumir até uma polegada de espessura, com toque atoalhado.


Algumas vantagens citadas por Amron: requer menos espaço de armazenagem; o colarinho não corre o risco de deslizar pelo copo; no desenho que surgirá com o calor é possível se explorar versões 3D dos logotipos do negócio em questão (no caso do estudo, o Starbucks); o produto utiliza menos material do que os colarinhos convencionais; é biodegradável e reciclável. Na primeira parte do vídeo abaixo dá pra ver bem o funcionamento do colarinho; na segunda, parece que são os estudos que o designer fez até chegar lá (mas isso é o que eu acho...).


Apesar de não ter ficado claro qual é o nível de controle que se tem sobre o resultado final, após o inchaço do colarinho (e qual a interferência que fatores como a umidade e a temperatura da bebida que é colocada no copo têm na forma final do colarinho), a ideia parece promissora...
(Fontes: Core77 e Scott Amron)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cafezinho diferente...



Eu adoooooro o cheirinho do café, mas não sou fã do gosto... Por isso fiquei intrigada com o Le Whif, uma invenção do norte-americano David Edwards, professor de engenharia biomédica da Harvard. Com o auxílio de uma espécie de bombinha plástica, ele propõe uma nova forma de consumo para a nossa bebida nacional: em vez de beber, agora podemos inalar o café e ainda assim sentir o efeito da cafeína (quem não recorre a um cafezinho quando a disposição está em falta?).


O Le Whif é produzido a partir de um processo no qual as partículas do café são reduzidas de tamanho diversas vezes, até ficarem voláteis. Elas são, então, colocadas em um tubinho biodegradável (do tamanho de um batom), fácil de se carregar por aí.
Embora pareça meio esquisita, a ideia de se aspirar o café em vez de bebê-lo pode ter algumas vantagens, como a praticidade e, ao menos teoricamente, a redução no desperdício de recursos naturais - em relação ao consumo de copos descartáveis (cerca de 58 milhões usados nos EUA a cada ano) versus a opção pelo café inalado.
Se o cafezinho molecular vai ser capaz de substituir a contento a experiência de se degustar um bom café, à moda tradicional, é difícil dizer - e confesso que não me parece muito provável. Mas fiquei curiosa...
Antes do "café cheirável", Edwards lançou o chocolate inalável, que tem um apelo extra: o de ser light (cada dose tem menos de uma caloria)! O Le Whif Coffee foi lançado no dia 11 de março, mas ainda não está disponível para venda pela internet. Por enquanto, quem quiser conferir terá de ir à LaboShop, em Paris.
(Fontes: InhabitatLe Whif)

terça-feira, 23 de março de 2010

Te conheço de algum lugar?



Sabem o Luca Nichetto, designer daquela cadeira antropomórfica super legal que postei aqui há um tempinho? Pois é, ele está com com diversos lançamentos prometidos para o Salão de Milão, e um deles é essa linha de mesas, que será apresentada pela Casamania
A mesa é bacaninha e tudo, mas é meio déjà vu... Na hora em que bati os olhos nela, uma espécie de equação matemática se formou na minha cabeça:


E aí, o que vocês acham? Estou vendo coisas? E se não, será que ele pensou nisso ou foi pura coincidência? (A mesa de cima é a Baghdad, de Ezri Tarazi e a de baixo, é a Brasilia, de Fernando e Humberto Campana, ambas produzidas pela Edra)
Ah, uma informação pertinente: os desenhos do topo das mesas assinadas por Nichetto fazem referência aos mapas das cidades de Paris, Barcelona, Veneza e Istambul.
(Fontes: Dezeen, Edra)

domingo, 21 de março de 2010

Design para download?



O Droog tem a vanguarda no sangue. Desde seu surgimento, em 1993, o coletivo holandês de design criado por Renny Ramakers e Gjis Bakker se caracteriza pela inovação e agora não é diferente. Eles anunciaram, em seu site, que estão trabalhando num projeto chamado Downloadable Design. A ideia é basicamente que o consumidor, em vez de comprar seu móvel em uma loja, baixe o desenho técnico e mande produzir a peça em um fabricante perto de si. Eis um trecho do comunicado:
"Em colaboração com a Waag Society, Droog está trabalhando com uma rede de desginers, distribuidores digitais, fabricantes e fornecedores de matéria-prima (...) para desenvolver novos modelos de negócios e design de produtos para [o projeto] Downloadable Design. Por meio de uma plataforma de alcance mundial para a distribuição do design, dois pilotos serão implementados para testar os modelos e designs desenvolvidos."
As vantagens seriam várias, a começar pelo aspecto sustentável da coisa: ao serem produzidos por fabricantes locais, os produtos não apenas demandariam menos transporte (o que reduz custos e tem menos impacto ambiental), mas também incentivariam as economias regionais.
A ideia é bem interessante, embora sua implantação pareça bastante complexa. Mas devo admitir que, quando se trata do Droog, não consigo duvidar de que seja possível. Provavelmente eles devem envolver técnicas de prototipagem rápida no processo produtivo (isso é o que eu acho, eles não divulgaram nada nesse sentido).
O projeto ainda está em fase de design e desenvolvimento; mais novidades devem ser anunciadas em breve.
(Fonte: Droog)

sábado, 20 de março de 2010

A hora é agora!


Essa semana vi dois modelos de relógio que me chamaram atenção, e percebi que ambos tinham algo em comum: um design que enfatiza o momento presente.
No relógio de parede Little Time (abaixo), criado pelo designer Rafael Morgan, os números são minúsculos e só é possível enxergá-los quando as lupas que estão nas extremidades dos ponteiros se posicionam sobre eles.


Já a proposta criada pelo designer Yves Behar para a marca de Issey Miyake também faz com que as demais horas "sumam" da vista do observador. O designer explica que a ideia do relógio de pulso Vue (abaixo) é "vivenciar o mistério do tempo hora-a-hora, (...) uma forma de sentir o surgimento e o desaparecimento do tempo em nossas vidas".


Pelo visto, a consciência do efêmero pode render bons frutos, não é mesmo?
(Fontes: Core77 e Fast Company)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Marmita inusitada



Inspirada a ideia do artista Rodrigo Piwonka: ele reaproveitou uma embalagem dessas de CD, com pino, para transportar seu sanduíche de bagel. Um ótimo exemplo de como um olhar atento é capaz de enxergar novas possibilidades para um objeto que, aparentemente, já tinha cumprido seu ciclo. Super!
(Fonte: Inhabitat)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Colorido para animar o trânsito...

No ano passado, durante um curso de Cool Hunting que fiz na Domus Academy, em Milão, um dos professores, que já havia estado no Brasil algumas vezes, comentou o seguinte: "acho curioso como o Brasil é um país tão colorido, alegre e cheio de vida, mas isso não se reflete nos carros: são todos cinza ou pretos".
Me lembrei disso hoje, quando vi essa capa para estepe lançada pela Maria Buzina, marca mineira que vende bolsas, mochilas e outras peças criadas a partir de lonas de caminhão usadas, todas pintadas a mão pela artista plástica Gabi Gonçalves.


Não é bacana? Além de dar um toque pessoal ao carro, é quase um gesto de gentileza: afinal, não é simpático oferecer flores (ainda que metaforicamente) a quem para atrás de você no trânsito?  ;-)
A loja da Maria Buzina fica em Juiz de Fora, mas eles também vendem pelo site. O preço médio da capa é R$ 260.

quarta-feira, 17 de março de 2010

P&D 2010 estende prazo para inscrições de trabalhos



Quem quiser inscrever trabalhos no P&D Design 2010 terá prazo extra: em função de problemas com o antigo site, a comissão organizadora do evento estendeu os prazos. Confira as novas datas:
- Submissão de artigos completos: registro e upload até 30 de abril
- Submissão de propostas para workshops: até 30 de abril
- Resultados da seleção de artigos completos: 30 de junho de 2010
- Resultados da seleção de workshops: 30 de junho de 2010
- Submissão de artigos de iniciação científica: até 30 de abril de 2010
- Resultados da seleção de iniciação científica: 30 de junho de 2010
- Divulgação da versão preliminar do programa: 31 de julho de 2010
Para mais informações sobre como se inscrever no P&D 2010, consulte o blog do evento.

Atualização: os anais do P&D 2010 estão disponíveis para download em http://blogs.anhembi.br/congressodesign/anais/anais/

Plugue dobrável é o grande vencedor do Brit Insurance Design Awards 2010



Que o Folding Plug, criado pelo designer  Min-Kyu Choi (acima), era um fortíssimo candidato a vencedor geral do Brit Insurance Design Awards deste ano, era quase óbvio. Mas agora, que o resultado final acaba de ser anunciado (os vencedores de cada categoria foram divulgados no início do mês, veja post), é muito bom ver um produto inovador ser reconhecido. Venceu o melhor!
No site da BBC, a manchete do prêmio provoca: "Plugue dobrável supera Alexander McQueen em premiação de design". Ainda bem que uma premiação deste alcance não abriu mão do seu papel de reconhecer os melhores produtos para se transformar em uma homenagem póstuma. McQueen era um fashion designer e tanto, sua perda foi realmente uma lástima (eu mesma fiquei em choque por alguns dias) e sua última coleção era, como o conjunto de seu trabalho, de altíssima qualidade, e merecia figurar como finalista do prêmio. Mas a proposta do Folding Plug mostra como soluções engenhosas podem fazer a diferença na vida do cidadão comum. E no fim das contas, não é esse o principal objetivo do design, melhorar a vida das pessoas?


"Ele está mostrando que o design pode tratar de projetar realmente bem as coisas simples do cotidiano e, neste caso, transformar algo que é universal e brutalmente feio", afirmou o diretor do Design Museum, Deyan Sudjic, em entrevista ao Guardian. A transformação mencionada por Sudjic é tanta que, antes de conhecermos o produto criado por Min-Kyu Choi, seria difícil acreditar que um plugue de tomada seria o grande vencedor de um prêmio importante... Não é ótimo que a criação de um "simples" produto tenha o poder de mudar os conceitos que assumíamos como certos?
(Fontes: Brit Insurance Designs of the Year, Guardian.co.uk, BBC)

terça-feira, 16 de março de 2010

Filtro de água "pra viagem"



Simpática a ideia da garrafinha de água Bobble, design Karim Rashid. (Nossa, acabo de perceber que ando "fixada" no tema da água ultimamente...) Feita para ser enchida com água da torneira, a "blob-garrafinha" do designer egípcio tem, acoplada à tampa, um filtro de carvão ativado que purifica a água à medida que bebemos.
O uso de uma garrafa não-descartável e que pode ser enchida com água da torneira tem o apelo de contribuir para a redução do volume de lixo gerado (ainda segundo o designer, cerca de 60 milhões de garrafas plásticas são jogadas no lixo por dia). Coerente com essa proposta, as Bobbles são feitas com plástico 100% reciclado.


Os filtros têm vida longa: a garrafinha pode ser enchida 300 vezes antes da primeira troca. "Dessa forma, cada um de nós estaria deixando de jogar fora 300 garrafas de água; se você fizer as contas, é um número incrível", defende o designer no vídeo abaixo, com seu famoso talento marqueteiro.
Ainda segundo Rashid, o filtro é pequeno mas poderoso, retirando da água comum o cloro, o fluor e outras substâncias indesejáveis. Para exemplificar, ele disse que tomou água da torneira em vários países (até no México - !?!) usando a garrafinha, e que a qualidade da água filtrada era ótima.


Confesso que me impressionei. Outra sacada bacana: quem comprar pelo site pode optar por receber um lembrete quando estiver na hora de trocar o filtro. O preço também é atraente: 10 dólares (9.95, oficialmente), mas, por enquanto, eles só despacham para os EUA e Canadá. 
(Fontes: Core77 e Bobble)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Design comprometido com o ambiente... será?


Nos últimos anos, começamos a ter a noção de que a água é um bem escasso, e passamos a entender a importância de evitar o desperdício de água. Quem não se irrita, por exemplo, ao ver alguém "varrendo" a calçada com a mangueira? Isso não é mais aceitável nos dias de hoje. Também nos acostumamos a fechar a torneira para escovar os dentes, ensaboar a louça de uma só vez e enxaguar tudo no final, e por aí vai... Mas a economia de água mais difícil talvez seja no chuveiro -- provavelmente porque o banho não é apenas um procedimento higiênico, mas também um momento de prazer e bem-estar.


Foi pensando nessa questão que o designer Paul Priestman e sua equipe criaram a Waterpebble, cujo nome e forma remetem a um seixo rolado -- associação imediata com a água corrente, princípio que rege o funcionamento deste pequeno gadget, criado para ajudar as pessoas a reduzirem o consumo de água durante o banho.


Funciona assim: basta colocar a "pedrinha" no piso do box (ou da banheira, se for o caso), e o mecanismo é acionado automaticamente pelo contato com a água. Na primeira vez em que for usada, a Waterpebble irá medir e memorizar a quantidade de água que passa por ela em direção ao ralo, de forma a estimular a redução do consumo nos banhos futuros. Os LEDs embutidos piscam ao longo do banho, variando do verde ao vermelho, para avisar quando é hora de parar. Assim, a cada dia, a Waterpebble vai reduzindo um pouquinho o tempo ideal, gradualmente educando o usuário a utilizar menos água na sua chuveirada diária.


Não parece ótimo? À primeira vista eu também achei. Mas à medida em que fui me informando mais sobre o produto e pensando um pouco sobre ele, foram me surgindo algumas questões...
A primeira delas diz respeito à própria questão ambiental. As pilhas da Waterpebble não podem ser substituídas, e o gadget tem duração estimada de seis meses com "uso normal" (um banho por dia, imagino). Ainda que o site do produto indique formas apropriadas de descarte, não me parece suficiente, pois é preciso gastar mais material e energia para se produzir novos objetos que seriam comprados periodicamente.
Além disso, como a "pedrinha" funciona baseada na análise do primeiro banho, seria preciso comprar uma para cada membro da família, afinal, as necessidades e a duração do banho variam muito conforme a idade e o sexo da pessoa.
Outra coisa: durante o banho, o usuário precisa ficar de olho na "pedrinha", pois qualquer descuido pode custar um tombo (reparem que no vídeo acima a pessoa tem que ficar desviando do gadget com frequência).
É por isso que, apesar da boa intenção do designer, fico em dúvida sobre a real validade desse produto. Será mesmo que não somos capazes de nos educar para um comportamento mais ecofriendly sem o uso de uma babá eletrônica? O que vocês acham?

domingo, 14 de março de 2010

Concurso para o cartaz do 24º Prêmio Design MCB



Importante premiação do cenário nacional, o Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira entra em sua 24º edição. Os cartazes que divulgam o prêmio, como sempre, são escolhidos por meio de um já tradicional concurso de design gráfico, cujas inscrições estarão abertas a partir de 23/03. 
"A seleção do cartaz será feita por uma comissão julgadora independente, formada por renomados acadêmicos e profissionais do design gráfico. A peça escolhida irá inspirar toda a identidade visual do 24º Prêmio Design MCB, em criações como convite impresso, camisetas, anúncios publicitários, flyers, folder, banners, certificados e site, algumas delas feitas pelo vencedor do concurso. É a possibilidade da consagração de profissionais atuantes no mercado e da revelação de novos talentos", informa o Museu.
O primeiro colocado receberá um prêmio de R$3.000,00 pelo cartaz e, posteriormente, mais R$ 5.000 pelo desenvolvimento das demais peças gráficas do prêmio. Os finalistas participarão da exposição do 24º Prêmio Design MCB.
Confira as datas:
  • Inscrições e boletos: de 23 de março a 18 de abril;
  • Pagamento boletos: até 19 de abril
  • Finalizar inscrição: até 22 de abril
  • Entrega dos cartazes no MCB: até 3 de maio
  • Divulgação do resultado: 18 de maio
As inscrições (R$ 35 por trabalho) devem ser feitas pelo site do Museu da Casa Brasileira, onde os interessados também podem obter mais informações e consultar o regulamento do concurso.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Design finlandês além dos clássicos

Quando se fala em design finlandês, logo vêm à cabeça os nomes de Alvar Aalto, Eero Arnio, Tapio Wirkkala e Timo Sarpaneva (clássicos) e de Harri Koskinen e Ilkka Suppanen (contemporâneos). Mas o design produzido neste país nórdico tem um fôlego muito maior do que o dos grandes nomes conhecidos internacionalmente. Apesar de seu tamanho (tem apenas 5 milhões de habitantes), a Finlândia possui uma produção em design super consistente – pode-se dizer que o design é tão importante para eles que está diretamente ligado à identidade nacional.
Organizada pelo Designmuseo de Helsinke, a exposição Estrelas do Design Finlandês, que acontece no Instituto Tomie Ohtake com patrocínio da Tok & Stok, reúne mais de 200 peças, entre móveis, vidros e porcelanas, objetos industriais, roupas e tecidos. Quem visitá-la, além de conferir de perto móveis e objetos que ocupam lugar de destaque na história do design, poderá conhecer novas facetas dos grandes designers finlandeses, e também conhecer o trabalho de outros designers não tão conhecidos de nós, brasileiros.


Tomemos por exemplo Alvar Aalto, provavelmente o mais famoso de todos. Além dos clássicos como os móveis em madeira curvada (acima) e os vasos Savoy, a exposição inclui duas padronagens de tecido desenvolvidas por ele na década de 1950 (abaixo, à esquerda). Da mesma forma, Timo Sarpaneva, famoso por sua produção em vidro, também atuou como designer têxtil – me chamou atenção a gestualidade da estampa criada por ele em 1965 (abaixo, à direita), em contraponto à racionalidade dos tecidos de Aalto, que, curiosamente, em nada lembram as linhas orgânicas do seu mobiliário. 


Quanto às novas descobertas (“novas” pelo menos para mim), tive várias boas surpresas. A começar pelo banquinho para sauna (abaixo) criado por Antti Nurmesniemi, que não só é lindo, explorando toda a plasticidade e a textura da madeira laminada, como extremamente funcional: basta lembrar que os finlandeses têm o hábito de frequentar a sauna do jeito que vieram ao mundo (!), então aquele vazado no centro é providencial, pois garante a higiene, já que a rotatividade de usuários é grande. 


A intimidade e a facilidade no trato com a madeira, sempre caracterizado pela leveza e pelo apuro formal, é uma constante no design finlandês do século XX e permanece até os dias de hoje, e certamente as técnicas desenvolvidas por Alvar Aalto na virada dos anos 1930, junto com a fábrica de móveis Korhonen, tiveram importante papel nesse sentido. Outros objetos que fiquei conhecendo na mostra e que representam esse legado são o cadeirão em compensado de bétula, criado em 1970 por Ben af Schulten (abaixo, à esquerda), e a poltrona com descansa-pés em madeira laminada (abaixo, à direita). 


Na mostra, também estão incluídos alguns móveis do Art Nouveau finlandês, produzidos no finzinho do século XIX, com duas abordagens diversas: enquanto a cadeira criada por Louis Sparre (abaixo, à esquerda) apresenta um desenho leve, apresentando curvas e motivos orgânicos, as peças assinadas por Eliel Saarinen são mais pesadas e trazem motivos geométricos entalhados no encosto (abaixo, à direita). 


A exposição Estrelas do Design Finlandês acontece até 02 de maio e definitivamente vale a visita. Para ver o folder da mostra, clique aqui.
(Fotos @ Designdobom)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Inaugurado museu em homenagem a Vico Magistretti



Um dos grandes  maestri  do design italiano, Vico Magistretti (06.10.1920 – 19.09.2006), agora tem um museu dedicado à sua obra. A Fondazione Vico Magistretti inaugurou, em Milão, no início deste mês, um museu que ocupa o lugar onde era o escritório de Magistretti. Esta prática, ao que parece, está se tornando uma espécie de tendência, o que é ótimo: em julho do ano passado visitei o Studio Museo Achille Castiglioni, dedicado ao trabalho deste outro gigante do design italiano, e a experiência foi incrível. Embora já conhecesse bem o trabalho dele, a visita trouxe elementos novos que me deixaram ainda mais fascinada pela genialidade de Castiglioni. Mas voltemos ao Magistretti...
O estúdio de Vico Magistretti (à diferença do de Castiglioni) sofreu modificações para receber a exposição e apresentar de forma mais sistemática seu trabalho como arquiteto e designer. Na entrada, uma espécie de estante finíssima exibe desenhos e pensamentos do designer, enquanto uma tela multimídia interativa (abaixo) percorre seus 60 anos de carreira, de 1946 a 2006. Apenas dois ambientes ficaram praticamente intocados: a sala de reuniões (no alto) e a sala onde Magistretti costumava trabalhar, a qual "dá a sensação de que ele tenha acabado de sair de lá", diz a jornalista da Abitare.


Apesar de ter projetado e executado uma série de edifícios em Milão, foi como designer que Vico Magistretti ficou internacionalmente conhecido, graças a seus inovadores projetos de mesas, cadeiras, sofás, luminárias e outros produtos. Mas o seu produto mais conhecido provavelmente é a cadeira Selene, escolhida para figurar como o item em destaque na inauguração do museu (de tempos em tempos, uma peça é escolhida para ser mostrada em detalhes, desde a criação, passando pela fase de protótipo, até a execução). 


Patenteada em 1967, a cadeira Selene ficou rapidamente conhecida pela inovação formal e construtiva (era feita de uma única chapa moldada de poliéster reforçado com fibra de vidro). Para driblar a baixa resistência do material devido à sua pouca espessura (3mm), Magistretti configurou a seção das pernas em forma de "S". Um "termômetro" da importância desta peça na história do design é o fato de ela integrar os acervos permanentes do MoMA NY e do Vitra Design Museum
Quem for a Milão não pode perder a chance de visitar o museu de Magistretti, assim como o de Castiglioni. Ambos são resultado da parceria da Fondazione Vico Magistretti e da Fondazione Achille Castiglioni com a Triennale di Milano e diversas empresas com as quais os designers trabalharam ao longo de suas vidas. Muito bacana essa iniciativa. E que venham outras! (Quem seria o próximo, Ettore Sottsass?)
Anote os endereços: o museu de Magistretti fica na Via Conservatorio 20, e o de Castiglioni, na Piazza Castelo 27.
(Vi no Designboom e na Abitare)

quarta-feira, 10 de março de 2010

A metamorfose do moletom

Quer uma bolsa para carregar (e proteger) seu notebook sem pagar nada por isso? Pegue aquele seu moletom com capuz e dobre daqui, vire dali, amarre de lá... e voilà!


A dica é do site/blog Conceptual Devices, que, remetendo à tradicional técnica japonesa do furoshiki, ensina a transformar este tipo de moletom em diversas outras coisas: travesseiro, mochila, suporte para carregar o bebê...
Ficou curioso? Confira outros vídeos ou exemplos passo-a-passo.
(Vi na Wired Italia)

terça-feira, 9 de março de 2010

A beleza da chuva



Quem disse que dia de chuva rima com mau-humor? As designers Débora Murakami e Renata Ueda pensam diferente, e por isso criaram capas de chuva super charmosas para a marca que criaram juntas, a Tupã (palavra que, na língua tupi, significa o golpe/baque estrondoso do trovão – adequado, não?). 
A proposta, explicam elas, “é oferecer uma outra opção, além do guarda-chuva, que seja confortável, bonita e acrescente um pouco de cor e humor a esses dias cinzas e chuvosos de São Paulo”.


Além da beleza e do conforto (já que são feitas em tecido maleável), as capas de chuva garantem proteção, pois são completamente impermeáveis, graças à composição da trama (70% nylon e 30% PVC). Um ótimo jeito de enfrentar as "águas de março"...
As capas estão à venda online e em lojas de São Paulo; mais informações no site da Tupã. Vai lá!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Concurso: design para o reciclo



Estão abertas as inscrições para a quarta edição do Recycling Designprize. O prêmio tem como foco o design de objetos utilitários ou decorativos feitos a partir de "lixo" ou restos de produção industrial. Os critérios para a avaliação dos trabalhos inscritos são: qualidade do design, valor prático, viabilidade, segurança ambiental, inovação e potencial para o futuro.
Não é cobrada taxa de inscrição e o projeto vencedor receberá 2.500 Euros em dinheiro. A cerimônia de premiação acontecerá em 15 de outubro, no MARTa Museum, na cidade alemã de Hertford, onde também acontecerá uma exposição com os premiados e finalistas (até 07 de novembro).
As inscrições se encerram em 31 de agosto. Para mais informações, clique aqui.
(Vi no Core77)

Na contramão da "onda verde"...

Vou dividir aqui uma historinha prosaica que me aconteceu ontem e me levou a pensar um pouco sobre a relação entre design, consumo e a "onda verde" que permeia nosso cotidiano com intensidade crescente, já há alguns anos... Foi o seguinte: comprei, no ano passado em Berlim, um mini fio-dental para levar na bolsa: a embalagem me chamou atenção por ser super pequenininha, de modo que ocuparia pouco espaço. Só que, quando abri, vi que o fio era muito grosso, e não passaria entre meus dentes. Mas fui deixando... Essa semana (4 meses depois!), me irritei e resolvi trocar o fio dental original por outro da Colgate, bem fininho, que uso normalmente.


Foi quando levei um susto: ao abrir a embalagem, vi que ambos tinham o rolinho interno praticamente do mesmo tamanho, e uma quantidade de fio muito similar!!! Como a embalagem do Colgate era grande (recentemente eles mudaram o shape da caixinha e ficou maior ainda), sempre me deu a impressão de que havia uma quantidade bem maior de fio dental ali. E essa deve ser justamente a ideia, não? (Abaixo, foto caseirinha das três embalagens; a embalagem atual da Colgate é a bem da direita)


Só que em tempos de consumo consciente, em que o mantra dos 3Rs (reduza, reutilize, recicle) é entoado por um número cada vez maior de designers - felizmente -, me parece que esse lance de usar uma embalagem gigante para "valorizar"o produto ou nos fazer acreditar que estamos comprando uma quantidade maior de produto (e assim pagarmos mais caro sem perceber) me parece totalmente fora de propósito, puro desperdício de matéria-prima. O truque é antigo, e muito usado na indústria de alimentos e cosméticos (o "potão" de creme normalmente tem um fundo falso ou algo do tipo), mas será que é compatível com a realidade atual? Eu não acho! E vocês?

Jardim urbano



Boa sacada as bolsas suspensas da linha Urban Garden, criadas pelo designer francês Patrick Nadeau e lançadas recentemente pela empresa alemã Authentics. Além de otimizar o espaço - que normalmente é escasso nas grandes cidades -, elas já vêm com grãos de argila para permitir a drenagem e possuem um indicador do nível de água, facilitando o controle das regas. Claro que a luz natural é sempre bem-vinda, por isso melhor instalar o apetrecho perto de uma janela.
Em São Paulo, os produtos da Authentics podem ser encontrados na Benedixt. Vale ficar de olho pra saber se os vasinhos da coleção Urban Garden chegarão até nós...
(Vi no Styl.in)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Vencedores do Brit Insurance Design Awards 2010


O Design Museum anunciou hoje à imprensa os vencedores do Brit Insurance Design Awards 2010. São sete categorias, e o "overall winner", escolhido dentre eles, será divulgado no dia 16.
Eis os premiados em cada área:
Arquitetura: Monterrey Housing (Mexico); projeto do escritório Elemental (Chile)
Moda: desfile Plato's Atlantis, coleção primavera/verão 2010 de Alexander McQueen (Reino Unido)
Mobiliário: cadeira Grassworks, de Jair Straschnow (Holanda)
Design gráfico: The Newspaper Club, projeto de Ben Terrett, Russell Davies e Tom Taylor (Reino Unido)
Design interativo: The EyeWriter, criado por membros da Free Art and Technology, openFrameworks, Graffiti Research La, The Ebeling Group e Tony Quan. (EUA)
Produto: Folding Plug, de Min-Kyu Choi (Reino Unido)
Transportes: E430 Electric Aircraft, de Yuneec International (China)


Dois produtos, dentre os premiados, me chamaram mais atenção. A linha Grassworks, criada pelo designer Jair Straschnow, é composta de móveis desmontáveis, que podem ser tranquilamente montados pelo usuário, graças ao desenvolvimento de uma junta especial, que faz com que as peças só possam ser encaixadas de uma única forma. Os móveis são feitos com laminado de bambu, material ecologicamente correto, graças à rapidez e facilidade com que o bambu pode ser cultivado.


Outro ponto bacana desses móveis é a multifuncionalidade: a cadeira se transforma em poltrona, a estante funciona como divisória de ambientes, as mesas são extensíveis e dobráveis.


O segundo produto que se destaca é o plugue dobrável criado pelo designer Min-Kyu Choi, ex-aluno do Royal College of Arts. Inconformado em ter que carregar os enormes plugues ingleses (segundo ele, os maiores do mundo), Choi propôs um novo desenho para eles, compactando-os consideravelmente. "A maioria das pessoas carrega os laptops com seus carregadores, porque as baterias têm duração limitada. E quando as pessoas levam seus laptops com plugues britânicos em uma bolsa, isso sempre causa problemas, como rasgar os papéis, arranhar as superfícies do laptop e até mesmo quebrar outras coisas, algumas vezes. O principal problema é que o plugue britânico padrão de três pinos não é considerado no processo de design para a mobilidade", explica o designer.
O plugue também é uma boa pedida para quem viaja ao exterior. Normalmente, carregamos mais de um equipamento eletrônico em viagens (notebook, celular, câmera, iPod...), mas só temos um adaptador universal de tomada, certo? Pensando nisso, Choi criou um adaptador que combina três plugues dobráveis. O vídeo abaixo mostra o funcionamento do plugue (quem estiver sem tempo, pode começar a assistir mais ou menos a partir da metade).


Eu vibrei na época do lançamento desse produto, no ano passado, e achei o recebimento do prêmio, agora, super merecido. Os melhores produtos, na minha humilde opinião, são aqueles para os quais a gente olha e se pergunta como ninguém pensou nisso antes... é assim com este plugue.
Para mais informações sobre os produtos premiados, clique aqui.
Fotos da linha Grassworks: Tim Stet e Jair Straschnow

quarta-feira, 3 de março de 2010

Jogando com a tipografia... literalmente



Genial o baralho criado pelo estúdio londrino Hat-Trick Design: as tradicionais cartas foram recriadas usando apenas elementos tipográficos, até mesmo para a criação dos quatro símbolos (ouros, espadas, copas e paus).
O filminho abaixo dispensa todas as explicações, vale conferir...


Já entrou pra minha lista de objetos de desejo...   :-)
(Vi no Designboom)

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